segunda-feira, 15 de março de 2010

Três astronautas irmãos de vida, em expedição a um lugar de onde não se quer voltar...

Já era dia quando pousamos, havia sol, luz.
A aurora revelava a natureza, o cheiro e o frescor do orvalho exalavam em abundância.
O riacho sussurrava poesias de elfos e o som das máquinas bradava profecias alienígenas.
Sob lonas coloridas nós, pierrôs, arlequins e colombinas, dançávamos. Dançávamos como a copa das árvores agitadas pelo vento, como a água tremulante seguindo o curso.
Em suas telas, esculturas e performances, os oráculos clamam por respeito.
Um corpo suspenso por ganchos que perfuram sua pele, flutua. Objeto que é obedece ao natural e como pendulo, balança, como animal sangra, livre.
Homo sapiens movemo-nos, nômades em busca apenas de movimento, a harmonia e a paz já estão em todos os lugares.
No seio pressionado por nossos dentes frenéticos a Terra jorra o alimento do espírito embalsamando-nos de liberdade. Emocionada a mãe chora sorrindo ao nos ver brincar sobre seu ventre de lama encharcados de suor.
Somos todos seus filhos, somos todos irmãos, todos iguais, todos vivos e naturais. Somos todos livres, naquele momento, naquele lugar, somos todos amor.
Como torrão de açúcar que dissolve na boca, a brincadeira de quintal demora, mas também acaba, e ao olharmos para o céu vemos o tempo nos chamar, ficou cinza antes de desabar, mãe que cuida chove água pra nos lavar.
Crianças assustadas pela iminência do fim pra se abrigar.
Ela tem a gravidade a seu favor chega molhando nossas faces e assim enxergamos, tudo que ficou pra trás e a vontade de voltar.
De volta a nossa nave é hora de partir.
No voou de volta via no semblante de meus irmãos a paz de quem provou, mesmo que por pouco tempo disfarçado de eterno, a plenitude.
Da viagem fica a lembrança e a inspiração para gritar silenciosamente o que encontrei lá, o sentido da vida:
O sentido da vida é viver em sintonia com a própria vida e tudo o que pode proporciona-la.
Será que vão acreditar nisso, lá nosso planeta?

Viagem ao mundo real

Lá tudo é mais intenso, sabor, aroma e cor;
Lá tudo é eterno, o tempo se arrasta e o relógio preguiçoso se esqueceu de trabalhar;
Lá tudo é mais leve, os ossos não cansam e a euforia busca ar pra respirar;
Lá tudo é água, dos rios e poros que não param de transpirar;
Lá tudo é infantil, tudo é feliz toda forma muda, lá somos todos desenhos de giz;
Lá tudo é de doces, balas e goma de mascar;
Lá tudo é açúcar;
Lá tudo é dançar;
Lá tudo é lá, tudo é agora somos todos aquele lugar;
Lá é de onde eu jamais queria voltar.