terça-feira, 5 de abril de 2011

Como um livro

É diferente. Não mais como criança que mergulha no baú dos brinquedos querendo testar todos de uma vez só, nem tão pouco como aquela que rasga os embrulhos de natal sem apreciar o brilho do papel laminado, ou como o adolescente que arranca a lingerie sem tocar a renda, sem desfazer os laços. É diferente, não tenho pressa.
Você pra mim é como um livro novo sobre um assunto que nunca li, estou disposto a me entregar a sua leitura, tolerante, paciente. Eu quero recostar na cadeira da varanda da casa de praia esticar as pernas e ouvir as ondas quebrarem, eu quero ficar olhando sua capa, demorar pra te abrir, quero sentir a textura das tuas páginas, virar uma a uma, devagar...
Você se preocupa com as marcas de dedo, em não abrir demais as páginas, se o papel está amassado, com orelhas... Não me importa nada disso, eu aceito você como é, eu quero te por no meu colo e te ler, te reler, te descobrir, te conhecer. Sei que no teu interior me depararei com palavras que me surpreenderão, me encantarão, e quando isso acontecer eu vou fechar você, te abraçar e ficar ali pensando em você e quão bonito foi cada pensamento que você me provocou e em meio aos meus devaneios e com o barulho do mar ao fundo, vou cair no sono devagar, devagar e com você ali, no meu peito.

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